Bailarinas de Talento
Torna-se sempre curioso quando um filme demora cerca de 1 ano a estrear em Portugal (depois de ter passado no Indie Lisboa 2008) e, se o faz em cinema (normalmente são directos para DVD), pode acontecer ser exibido apenas em uma sala (Medeia King). Foi exactamente isso que aconteceu com o último filme de Abel Ferrara, chamado "Histórias de Cabaret" (Go Go Dolls, no original).
Ferrara apresenta aqui um filme de pequeno orçamento, leve (se for possivel encontrar leveza no cinema de Ferrara), sem argumento e laivos de burlesco, longe portanto da maravilhosa procura da espiritualidade do seu filme anterior.
O filme retrata um dia no clube "Ruby´s Paradise", detido e gerido por Ray Ruby (Willem Dafoe), que se encontra em profunda decadência resultante do seu próprio anacronismo (um bar da NYC dos anos 80) e do vicio de Ray na lotaria.
O problema é que não existe dinheiro para pagar às suas bailarinas (onde se inclui uma magnifica Asia Argento), o seu principal financiador e irmão quer sair (Matthew Modine), a senhoria (Sylvia Myles) visita todas as noites o clube exigindo o seu dinheiro, o chefe de sala (Bob Hoskins) tenta angariar clientes chineses para revitalizar o espaço e tudo o que poderia correr mal acontece... até que o contabilista de Ray (Roy Dotrice) decide apostar todo o dinheiro do cabaret num esquema de lotaria cujo prémio ascende a 18 milhões de USD, este sai mas... como se ganha a lotaria se não se encontra o bilhete?
O filme tem momentos hilariantes, um cast estupendo e onde se nota um elevado grau de improvisação. Impressionante como Ferrara usando, praticamente, apenas o set do clube, consegue imprimir a esta pequena história de "loosers" e sonhadores uma imensa força e sensibilidade. Não se trata apenas de meninas a fazerem strip, mas sim um clube que priveligia o talento e chega a promover um dia por semana de um show de talentos muito diferente das table dances habituais.
Não seria um filme de Ferrara se não existissem algumas das suas bizarrias, como no festival de talentos que transforma por completo o clube, o momento musical de Ruby onde este demonstra o amor que tem pelas suas bailarinas e o show de Asia Argento (só ela mesmo seria capaz disto).
Este não é um Ferrara vintage, contudo é um filme deveras interessante, divertido, com uma pujança muito própria e um final divertidíssimo. Para os fãs continua a ser incontornavel, para os outros experimentem outras obras-primas antes desta como o "Maria Madalena", "O Funeral", "Um Policia Sem Lei" ou "O Rei de Nova York".
Carpe Diem.

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Génese do Horror
Hoje sugiro um documentário que, inexplicavelmente, saiu directamente para DVD (inserido na colecção "Documente-se" da Sony) em Portugal, ainda que tenha ganho o Urso de Prata e o Grande Prémio do Júri do Festival de Berlim deste ano, refiro-me a "Operação Padrão" ("Standard Operating Procedure", no original) de Errol Morris.
O documentário tem como tema o escândalo da prisão iraquiana de Abu Ghraib onde, pela voz dos próprios protagonistas, se procura entender o porquê das fotos e dos actos que atravessaram a ténue linha que separa o interrogatório da tortura e fizeram George W. Bush pedir desculpa publicamente.
O esquema de Errol Morris consiste em entrevistar terceiros sem que as perguntas se vejam ou ouçam, criando um efeito de aparente diálogo com o espectador. Esta situação permite que nos centremos nas expressões faciais, no que é dito (e sobretudo no que não é), salientando a incongruência e desconforto com naturalidade.
Intercalando as diversas entrevistas, surgem momentos de reconstituição das situações das principais fotos, mas quem procure razões para o que aconteceu não as encontra neste filme. Encontramos nestes soldados um misto de loucura, excesso de juventude, estupidez natural, incapacidade de sentir o outro como um igual e uma profunda insensibilidade/ausência de sentimentos perante a violência (em certos momentos veio-me à memória o filme "Funny Games" do realizador Michael Hanneke).
Independentemente de gostarem ou não de documentários, este é essencial tal como já acontecia com o anterior do mesmo autor, com o nome "Testemunhos de Guerra" ("Fogs of War", no original) e que teve uma estreia discreta seguindo logo para DVD (eu tive a possibilidade de o ver no Indie Lisboa e recomendo-o vivamente). Não se trata de um documentarista com estilo do Michael Moore, contudo, consegue ser bem mais incisivo do que em todo o show-off deste.
O filme apresenta muitos momentos chocantes na forma como alguns protagonistas se referem aos acontecimentos (nenhum se arrepende, apenas lamentam ter aparecido nas fotos ou estado nos locais onde elas foram tiradas) e desses destaco: Lynndie England (rosto inexpressivo e estupidez evidente) dizendo que não mudaria nada do que aconteceu porque graças aos momentos em Abu Ghraib teve um filho (de um dos principais soldados/torturadores que era casado com outra das protagonistas) ou Sabrina Harman (um bloco de gelo de emoções, contrastando com as cartas que enviou à sua namorada durante o tempo que esteve em Abu Ghraib) a justificar as fotos como sendo provas do que se passava e, ao mesmo tempo, dizendo que o seu dedo espetado de "aprovado" e o sorriso foram apenas reacções inconscientes de quem aparece numa foto e não falta de respeito pelos torturados.
A grande conclusão a que se chega é que se as fotos não existissem não haveria escândalo e nada disto tinha sido falado, já que a maioria dos actos cometidos são considerados SOP pelo exército americano. O facto da maior parte dos prisioneiros serem inocentes torna toda esta situação ainda mais atroz e o silêncio das patentes superiores é ensurdecedor. Logo no inicio do filme se vê como Rumsfeld na sua visita inicial a Abu Ghraib só fica a conhecer parte das instalações e toda a zona da tortura é evitada por este... como que dizendo que "quem não vê não sabe".
Uma última referência ao titulo original, trata-se do termo que o exército americano considera para operações padrão e que não são definidas como tortura... um exemplo? Aquele "suspeito" em cima de um caixote com capuz na cabeça, falsos fios de electricidade nos braços e mãos e a ameaça de que se caisse era electrocurtado, foi considerado uma SOP... assustador, não?
Carpe Diem.

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A redenção de um duro

Com imensa expectativa e vontade de entender o desprezo da Academia pelo mais recente filme de Clint Eastwood, Gran Torino, desloquei-me aos "meus cinemas", no passado Domingo, para o ver. Em conclusão, confirmo que as elevadas expectativas são igualadas ou mesmo superadas, contudo continuo sem perceber como é que este IMENSO filme não ganhou, no mínimo, os Óscares de Melhor Filme e Realizador!! Aliás, ofereço do meu próprio bolso um bilhete de cinema ao Sr. Danny Boyle para assistir a este filme, porque podia ser que entendesse como se transmite emoção e sentimentos (sem pieguice ou efeitos de câmera) em 116 minutos, contrapondo um mix de actores e amadores (tal como no dito Bilionário...).
O filme retrata a história de Walt Kowalski (Clint Eastwood), um homem que combateu pelos EUA na Guerra da Coreia, apologista do "buy american", conservador e profundamente racista nos diálogos e no pensamento. A morte da sua esposa deixa-o sozinho com a sua cadela e seu Ford Gran Torino de 1973 do qual cuida como se de uma peça rara de museu se tratasse (aprecia, cuida mas não o usa). Walt sente-se separado da sua familia, que o menospreza e apenas se interessa pelos seus bens, vivendo num bairro rodeado de imigrantes (italianos, negros, hmong´s, chineses...) e decadente. Quando o seu jovem vizinho de etnia hmong tenta roubar-lhe o Gran Torino, como iniciação de entrada num gang, toda a sua vida sofrerá uma imensa reviravolta.
Walt apresenta uma maior intensidade ao ser interpretado por Clint Eastwood, pelo facto de ser um condensado de diversos personagens que este actor/realizador interpretou ao longo da sua carreira, desde Dirty Harry a Bill Munny (Imperdoável). Torna-se delicioso ver este homem resmungar (e se ele resmunga em todo o filme!!) e sofrer uma transformação gradual, demonstrando que a dureza de atitudes não representa uma dureza de coração. Trata-se antes da perda de um homem e o aproximar a um outro "diferente", mas que vai substituindo a sua familia.
No fim, ficamos sem saber se foi Walt (ou Wally) que ajudou os seus vizinhos hmong ou se foram estes que o salvaram... a tensão da sequência final é irrespirável e nunca um "Holly Mary" foi tão doloroso. Em minha opinião, a decisão de Walt serviu, sobretudo, para que este se sentisse vivo e necessário a alguém de novo.
Mais uma "pequena" obra-prima de um realizador que não sabe filmar mal e consegue depurar ao máximo o argumento sem transparecer no ecran o desnecessário... é aquilo a que se chama "clássico". Um filme a não perder e que deixa emoções tão fortes no seu final como as que "Million Dollar Baby" deixou.
Carpe Diem.

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Solidão na multidão
Este foi o fim de semana para colocar o cinema em dia, não podendo deixar de fora o filme "The Wrestler", realizado por Darren Aronofsky ("Requiem for a Dream - A Vida não é um Sonho" e "O Último Capítulo - The Fountain") e que tem sido considerado o filme de regresso de Mickey Rourke (não totalmente verdadeiro porque esse foi "Sin City" onde interpretou o papel de Marv).
A história retrata a vida de uma antiga glória do wrestling americano dos anos 80, Randy "The Ram" Robinson, que não foi capaz de abandonar a competição e se dedica a combates de terceira (ou mesmo extremos) em liceus e associações pela América profunda. Trata-se, sobretudo, da história de um looser que só se sente completo dentro de um ringue e com a ovação dos espectadores a rodeá-lo. Interessante a forma como Aranofsky filma a entrada de Randy no espaço gourmet do hipermercado onde trabalha, em analogia com os momentos antes de um combate.
Para além dos combates marginais (momentos sublimes para quem aprecia o wrestling americano, onde se vê a camaradagem e a forma como se combinam as coreografias entre os oponentes), Randy perdeu o contacto com a filha (uma radiosa Evan Rachel Wood) e tenta a aproximação amorosa a uma stripper (Marisa Tomei num papel de grande intensidade e disponibilidade). Note-se que, apesar de ser um filme passado no ambiente do wrestling, não é esta a sua principal tónica mas antes a tentativa de redenção de um homem que bateu no fundo da vida.
Sem Mickey Rourke no principal papel, o filme teria uma intensidade bem diferente porque ele consegue tornar a história de Randy na sua, levando o filme em crescendo até um final redentor e o único possivel. Não é, de todo, um filme lamechas e o próprio realizador não permite que nos sintamos demasiado próximos de Randy apresentado os seus defeitos e imperfeições.
Não se trata apenas de um filme com Rourke, tendo de se levar em conta as interpretações de Evan Rachel Wood (intensa nos seus olhares e silêncios) e, sobretudo, Marisa Tomei (uma representação de mulher que tenta ser forte mas que se sente só e a idade não ajuda) num trio perfeito recheado de fraquezas e imperfeições.
Existem pequenos momentos deliciosos neste filme como o plano da feira de fãs onde a decadência e a antiguidade estão bem presentes, o reencontro entre pai e filha feito de pequenos nadas (e onde torcemos para que eles retomem o contacto mas...), o jogo de sedução da stripper com idade a mais e que se sente só, o último olhar de Randy para um espaço vazio e o leve sorriso representativo da perda da esperança.
Trata-se de um filme sobre uma vida perdida, o medo de viver, a solidão e o tentar recomeçar... posso dizer que foi um dos mais belos filmes que vi nos últimos tempos e, em cerca de 1 hora e 45 minutos, senti mais emoção do que em todo o filme "Quem Quer Ser Bilionário".
Justiça teria sido a vitória nos Óscares de Mickey Rourke (não acredito que tenha muitos mais papéis assim na sua carreira) e de Marisa Tomei (este sim o papel onde merecia a estatueta dourada), que têm 2 interpretações superlativas e intensas. Parafraseando Sean Penn no agradecimento do Óscar que recebeu: "Mickey Rourke is back and he is my brother".
Carpe Diem.

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A intensidade de um comic

Durante muitos anos considerou-se um feito impossivel adaptar a BD "Watchmen" (cerca de 400 páginas na sua versão completa), escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons. As razões para este estado de coisas têm origem no seu tamanho e diferentes graus de leitura, criando uma extrema complexidade quem, até à sua publicação, não se associava ao universo dos comics.
A BD foi, inicialmente, publicada num formato de 12 volumes pela editora DC Comics no ano de 1986, gerando um fenómeno de culto instântaneo para diversas gerações. Recorde-se que, nesse mesmo ano, Frank Miller lançou o seu "The Dark Knigh Returns" e o mesmo Alan Moore escreveu a melhor história de Batman (opinião do autor do blog) de sempre, "The Killing Joke" (com um final maravilhoso onde Batman e Joker se vêm como 2 metades da mesma moeda e ficam a rir à chuva).
Após as tentativas de realizadores como Terry Gilliam, Paul Greengrass e Darren Aranovsky, coube a Zack Snyder (300) adaptar em definitivo ao cinema esta obra prima da BD. O elevado hype gerado pela espera e o trailer que entretanto saiu, fez-me ter as maiores expectativas.

Depois de adaptações desastrosas a BD´s escritas por Alan Moore (From Hell e League of Extraordinary Gentlemen) e uma razoável (V for Vendetta) devo confessar que tinha receio de que este filme fosse pelo mesmo caminho mas... o melhor elogio que lhe posso fazer é conseguir superar as expectativas!!
Ainda que não apresente todas as variantes/histórias paralelas/personagens do comic (os 2 Bernie´s, o comic dentro do comic Tales of Black Freighter, o sumiço dos jornalistas provocado pelo Doctor Manhattan, o final, entre outros momentos) que se afiguraria impossivel para uma duração "normal" em cinema (mesmo assim são 163 minutos), consegue condensar a ideia e mística do original. Contudo, prevê-se que a edição em DVD tenha uma duração de 3 horas e meia com o Tales of Black Freighter incluído... já a espero com ansiedade :)
A história do filme retrata a investigação da morte de um super-heroi (Comediante) por outro (Rorschach), no ano de 1985, em plena Guerra Fria e num hipotético 3º mandato de Nixon (a personagem mais ridicula de todo o filme fruto de uma caracterização boçal). A ideia de guerra nuclear encontra-se ao rubro e seguimos a vida de alguns antigos super-herois deprimidos e/ou afastados do Mundo que os rodeia.
Os Watchmen são compostos pelo Comediante (Jeffrey Dean Morgan), Rorschach (Jack Earle Haley), Dr. Manhattan (Billy Crudup), Nite Owl II (Patrick Wilson), Silk Specter II (Malin Akerman) e Ozymandias (Matthew Goode). Cada um apresenta, à sua maneira, um crescente desagrado em relação à humanidade, através do cinismo (Comediante), loucura (Rorschach), impotência/indefinição (Nite Owl II e Silk Specter II), desumanidade (Dr. Manhattan), superioridade (Ozymandias).
Se procuram um filme de super-herois como "Homem Aranha", "Hulk" ou "X-Men" desenganem-se porque este não é um filme de aventuras mas sim um melodrama com pessoas comuns mascaradas e desiludidas com a Vida. É, acima de tudo, uma reflexão sobre o poder, a arrogância dos povos, o excesso de poder dado a certas potências, a superioridade moral de algumas personagens.
Em minha opinião, o grande personagem do filme é Rorschach na interpretação de Jack Earle Haley, num ser paranoico e doentio que priveligia o "olho por olho, dente por dente" sem ter em conta as diferentes gradações de cinzento que a Vida tem.
Um olhar refrescante sobre os super-herois com a adaptação fidedigna a uma BD, já de si, bem cinematográfica. Merece a pena ver e nem se sente o tempo a passar... mais tarde, leiam a BD e deslumbrem-se com o mundo criado por Alan Moore em toda a sua plenitude.
Carpe Diem.

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And the winner was...
Terminou há instantes a 81ª edição dos Óscares que poderá ser reduzida a uma enorme decepção e falta de novidade. Raramente surgiram surpresas (a maior terá sido respeitante ao Melhor Filme Estrangeiro), houve uma tendência de vitória igual a outros prémios (a vitória do "Quem Quer Ser Bilionário", a Kate Winslet, o Heath Ledger, a Penélope Cruz (!?) e o Wall-E) sem que existisse coragem para perdoar e premiar o Mickey Rourke (ainda que o Óscar ao Sean Penn seja merecido).
No cômputo geral, foi a vitória do filme "Quem Quer Ser Bilionário" (8 Óscares), demonstrando que o exotismo "made in India by English" está na moda... como já repararam anteriormente, o filme não me disse muito (ou quase nada) e considero de uma injustiça tremenda a vitória do Danny Boyle como Melhor Realizador que nunca poderá ser comparado ao David Fincher ou ao Gus Van Saint.
A cerimónia em si conseguiu ser mais dinâmica sem, contudo, ter diminuido a sua duração, com um actor/apresentador em grande forma (Hugh Jackman) e alguns momentos hilariantes (Tina Fey/Steve Martin, por exemplo).

Aqui ficam os vencedores, face às minhas apostas pessoais (apenas acertei 2):
Melhor Filme:

- O Estranho Caso de Benjamin Button
- Frost/Nixon
- Milk (a minha aposta)
- O Leitor
- Quem Quer Ser Bilionário
Melhor Realizador:

- David Fincher (O Estranho Caso de Benjamin Button)
- Ron Howard (Frost/Nixon)
- Gus Van Saint (Milk) (a minha aposta)
- Stephen Daldry (O Leitor)
- Danny Boyle (Quem Quer Ser Bilionáiro)
Melhor Actor Principal:

- Richard Jenkins (O Visitante)
- Frank Langella (Frost/Nixon)
- Sean Penn (Milk)
- Brad Pitt (O Estranho Caso de Benjamim Button)
- Mickey Rourke (O Wrestler) (a minha aposta)
Melhor Actor Secundário:

- Josh Brolin (Milk)
- Robert Downey Jr. (Tempestade Tropical)
- Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
- Heath Ledger (Batman Cavaleiro das Trevas) (a minha aposta)
- Michael Shannon (Revolutionary Road)
Melhor Actriz:

- Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
- Angelina Jolie (A Troca)
- Melissa Leo (Frozen River)
- Meryl Streep (Dúvida) (a minha aposta)
- Kate Winslet (O Leitor)
Melhor Actriz Secundária:

- Amy Adams (Dúvida)
- Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
- Viola Davis (Dúvida)
- Taraji P. Henson (O Estranho Caso de Benjamim Button)
- Marisa Tomei (O Wrestler) (a minha aposta)
Melhor Argumento Original:

- Courtney Hunt (Frozen River)
- Mike Leigh (Um Dia de Cada Vez)
- Martin McDonagh (Em Bruges)
- Dustin Lance Black (Milk)
- Andrew Stanton e Jim Reardon (Wall-E) (a minha aposta)
Melhor Argumento Adaptado:

- Eric Roth (O Curioso Caso de Benjamim Button)
- John Patrick Shanley (Dúvida) (a minha aposta)
- Peter Morgan (Frost/Nixon)
- David Hare (O Leitor)
- Simon Beaufoy (Quem Quer ser Bilionário?)
Melhor Filme Estrangeiro:

- O Complexo Baader Meinhof (Alemanha)
- A Turma (França)
- Departures (Japão)
- Revanche (Austria)
- Valsa com Bashir (Israel) (a minha aposta)
Melhor Filme de Animação:

- Bolt (Chris Williams e Byron Howard)
- Kung-Fu Panda (John Stevenson e Mark Osborne)
- Wall-E (Andrew Stanton) (a minha aposta)
E agora vou dormir, triste e desiludido, esperando que em 2010 seja melhor:
Carpe Diem.

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Uma obra-prima da animação
Depois de tanto protestar lá me aguentei à bronca e fui assistir ao filme "Coraline e a Porta Secreta", escrito e realizado por Henry Selick (o mesmo responsável pelo "O Estranho Mundo de Jack") com base num livro de Neil Gaiman, em versão 3D.
Trata-se de um caso em que, apesar das expectativas muito altas, se concretiza aquilo que se idealiza e ainda consegue superar... todo o filme apresenta um deslumbramento de cor, magia e fantasia que equilibra o sonho de uma criança sem esquecer a vertente bem negra, tal como em qualquer bom conto infantil. Se repararmos, qualquer história infantil clássica tem o seu quê de macabro, seja a bruxa que come crianças (Hansel & Gretel) ou a que apenas quer ser bela e destruir quem já o é (A Bela Adormecida).
A animação consegue misturar 2D com moldes de uma forma entusiasmante e demonstrando um profundo respeito pela história base. A animação de Coraline está deliciosa nas suas variadas expressões faciais, mostrando a rapariga irreverente do livro de Gaiman, seguida de secundários hilariantes como as 2 antigas actrizes (Miss Spink e Miss Forcible) e o artista de circo decandente (Mr. Bobinsky).
A história de uma criança que quer brincar e divertir-se mas cujos pais não lhe dão a atenção necessária vai, concerteza, dizer alguma coisa a muitas crianças dado o constante stress do dia a dia contudo, a alternativa (um Mundo com pais que fazem as vontades e com muita cor, animação e alegria) revelar-se-á uma teia de enganos.
Devo ainda salientar que, apesar de contrariado, a tradução (Nuno Markl) e dobragem para português estão excelentes e o 3D (primeira experiência neste género de quem escreve) tem tudo para ser o futuro do cinema e trazer, quem sabe, mais e novas pessoas a este meio de entertenimento. Eu ainda sou daqueles que gosta de uma boa história e do cinema europeu, contudo não sou fanático ao ponto de não ver as potencialidades do 3D.
Se querem um filme de animação adulto e com uma história interessante e bem contada, arrisquem e deixem-se levar pela magia e irreverência de Coraline... depois leiam o livro de Gaiman que merece todos os elogios que lhe possam ser feitos.
Carpe Diem.
PS: Estou em "estágio" para a emissão dos Óscares 2009, tendo em vista que amanhã não trabalho vou ficar agarrado à TV e torcer pelo Mickey Rourke e pelo "Milk" do Van Saint, amanhã veremos se acertei em alguma coisa :)

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A montanha pariu... um rato!!
Acabei de ver o grande "happening" do momento, o filme "Quem Quer Ser Bilionáiro?", pelo qual sentia uma imensa curiosidade pelo facto do acolhimento consensual, a nível de crítica e público, nos EUA. Depois de ler diversas criticas positivas ao filme, os prémios obtidos nos Globos de Ouro e nas mais variadas associações nos EUA e Europa devo dizer, em minha opinião, que a montanha pariu um rato...
A história de um miudo das barracas (o tal slumdog millionaire) na Índia que ao concorrer ao concurso local do programa americano "Quem Quer Ser Milionário" ganha o prémio final e assim consegue resgatar o seu grande amor, não traz nada de novo ao cinema. É um filme exótico, recheado da estética MTV (ou estética "Transpotting"), com uma excelente banda sonora e uma história de amor como tantas outras que o cinema já mostrou.
Poderão vocês dizer que a pobreza nunca foi mostrada desta forma e eu recordo dois filmes onde ela apareceu, o Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro (neste último até a história de amor era bem mais forte), de forma tão crua quanto a deste filme e sem ter de recorrer a mergulhos na merda. Dirão ainda que o filme apresenta um ritmo elevado e inovador, nada mais errado tendo em conta o seu realizador (Danny Boyle) que já tinha feito o mesmo em filmes como Transpotting e 28 Dias Depois. E a história de amor? Bem, não senti qualquer emoção entre os dois personagens, nem um único rasgo de intensidade e há sequências profundamente previsiveis (como a sequência do telemóvel no carro).
Contudo devo dizer que o filme não é mau, apenas não consegue sair da mediania, com uma aposta no exotismo da pobreza (ao qual não escapa momentos no Taj Mahall) e uma história de amor sem força. A realização de Danny Boyle não apresenta soluções para tornar o argumento mais aliciante e os actores principais não têm quimica entre si, numa paixão que teria, forçosamente, de ultrapassar momentos intensos e complexos.
Destaco a beleza da actriz Freida Pinto e a musica que percorre o filme que, espero, seja vencedora do Óscar respectivo.
Carpe Diem.

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Previsões para Óscares 2009
Como acontece todos os anos, aqui ficam as minhas apostas para a noite dos Óscares (madrugada do dia 23 de Fevereiro), devidamente sublinhadas a verde:

Melhor Filme:

- O Estranho Caso de Benjamin Button
- Frost/Nixon
- Milk
- O Leitor
- Quem Quer Ser Bilionário
Melhor Realizador:

- David Fincher (O Estranho Caso de Benjamin Button)
- Ron Howard (Frost/Nixon)
- Gus Van Saint (Milk)
- Stephen Daldry (O Leitor)
- Danny Boyle (Quem Quer Ser Bilionáiro)
Melhor Actor Principal:

- Richard Jenkins (O Visitante)
- Frank Langella (Frost/Nixon)
- Sean Penn (Milk)
- Brad Pitt (O Estranho Caso de Benjamim Button)
- Mickey Rourke (O Wrestler)
Melhor Actor Secundário:

- Josh Brolin (Milk)
- Robert Downey Jr. (Tempestade Tropical)
- Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
- Heath Ledger (Batman Cavaleiro das Trevas)
- Michael Shannon (Revolutionary Road)
Melhor Actriz:

- Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
- Angelina Jolie (A Troca)
- Melissa Leo (Frozen River)
- Meryl Streep (Dúvida)
- Kate Winslet (O Leitor)
Melhor Actriz Secundária:

- Amy Adams (Dúvida)
- Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
- Viola Davis (Dúvida)
- Taraji P. Henson (O Estranho Caso de Benjamim Button)
- Marisa Tomei (O Wrestler)
Melhor Argumento Original:

- Courtney Hunt (Frozen River)
- Mike Leigh (Um Dia de Cada Vez)
- Martin McDonagh (Em Bruges)
- Dustin Lance Black (Milk)
- Andrew Stanton e Jim Reardon (Wall-E)
Melhor Argumento Adaptado:

- Eric Roth (O Curioso Caso de Benjamim Button)
- John Patrick Shanley (Dúvida)
- Peter Morgan (Frost/Nixon)
- David Hare (O Leitor)
- Simon Beaufoy (Quem Quer ser Bilionário?)
Melhor Filme Estrangeiro:

- O Complexo Baader Meinhof (Alemanha)
- A Turma (França)
- Departures (Japão)
- Revanche (Austria)
- Valsa com Bashir (Israel)
Melhor Filme de Animação:

- Bolt (Chris Williams e Byron Howard)
- Kung-Fu Panda (John Stevenson e Mark Osborne)
- Wall-E (Andrew Stanton)
As minhas apostas refletem os vencedores que eu desejo e não aqueles que eu penso irem ganhar... se acertasse a 100% ficaria muito contente, já que seria um sinal de que a cerimónia de entrega dos prémios não se tornaria uma monotonia (leia-se repetição dos Globos e vitória retumbante do "Quem Quer Ser Bilionário?").

De fora dos nomeados ficaram Sally Hawkings no "Um Dia de Cada Vez", a musica de Bruce Springsteen do filme "O Wrestler", o filme e a interpretação de Clin Eastwood no "Gran Torino" e a escassez de nomeações para o filme "Revolutonary Road".

Até dia 23,
Carpe Diem.

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Em espera...
Como verdadeiro viciado em cinema que sou, ando a "salivar" pela estreia de 3 filmes que prometem muito e que espero, sinceramente, venham a evidenciar todas as qualidades que aparentam. Ei-los por ordem de estreia prevista em Portugal:


O primeiro filme diz respeito à adaptação, em versão animada, do conto infantil "Coraline e a Porta Secreta" do grande Neil Gaiman (Edição portuguesa da Presença) pelas mãos do senhor que realizou "O Estranho Mundo de Jack", Henry Selick.
Tendo em conta o trailer que anda por ai, vai ser uma maravilha de ver e uma animação com um look muito semelhante ao Jack, a não perder depois de ler o livro claro (o qual detenho, com um desenho de um rato efectuado e autografado por Neil Gaiman em pessoa!!). A estreia portuguesa está prevista para dia 12 de Fevereiro, contudo e estupidamente como já acontecia com o "Bolt", a versão 3D tem apenas dobragem em português, não se admite!!



Em seguida temos uma das grandes supresas da temporada, o filme "The Wrestler" realizado por Darren Aronofsky e com direito à ressurreição de Mickey Rourke enquanto actor (Globo de Ouro e nomeação ao Óscar). A história de um lutador de wrestling (Rourke) em fim de carreira, apaixonado por uma stripper decadente (a sempre estupenda Marisa Tomei numa interpretação intensa e de risco) ao som de Bruce Springsteen promete e muito. A estreia em Portugal está agendada para dia 26 de Fevereiro.
Por fim temos uma das estreias mais aguardadas do ano, um filme que sempre foi considerado infilmável e que ai está pelas mãos de Zack Snyder, "Watchmen". Um filme de super-heróis onde o conceito de bem e mal se misturam, onde o relacionamento entre o grupo nem sempre é o que aparenta, onde o comodismo os fez perder a fé... tudo isso em cinema e, à primeira vista, parece vir a ser uma grande aposta em 2008. A estreia nacional está prevista para 05 de Março, isto se as divergências sobre quem tem os direitos de adaptação do comic de Alan Moore forem resolvidas a tempo.
Carpe Diem.

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Respirar Vida
Esta semana estreou um filme que, mal vi o trailer, me deixou com muito interesse em descobrir por 4 razões principais: Juliette Binoche (para mim uma das maiores actrizes francesas), Romain Duris, Cédric Klapisch (realizador que já me tinha cativado com "A Residência Espanhola" e, não tanto, com "As Bonecas Russas) e a cidade de Paris (eterna, amante, sonhadora, irrepetivel).

Trata-se de um filme onde se desenrolam 8 histórias, tendo por fundo a cidade de Paris. A história que origina o olhar sobre todas as outras as outras é a de Pierre (Romain Duris), um bailarino, que descobre ter uma doença cardiaca, só curável com um transplante de coração. A aproximação da morte fará com que Pierre veja a Vida de forma diferente e se "divirta" a imaginar as vidas dos outros... como ele diz a certa altura, gosta de olhar os outros a viverem e fazer disso a sua imaginação e assim viver por eles e com eles.
Além da historia de Pierre, seguimos o rasto de Elise, sua irmã, que trabalha como assistente social que, aos 40 anos, não encontrou ainda um companheiro para partilhar a Vida e cuidar dos seus 3 filhos. A história dos trabalhadores magrebinos no mercado que vivem o dia todo a trabalhar e se divertem à noite, quando a juventude rica e ociosa procura uma aventura junto do que desconhece. A história de 2 irmãos, um arquitecto racionalista (Philippe) a criar o futuro da cidade e o outro (Roland) historiador deprimido que não quer terminar a Vida rodeado de livros e no passado. A estudante que se entrega ao professor e depois o reprime, porque a sua Vida não é essa sem contudo ter em conta os sentimentos do outro. A dona da padaria e os seus preconceitos para com as nacionalidades dos seus empregados. O emigrante dos Camarões que procura o seu Eldorado na cidade de Paris.
São historias de amor, redenção, tristeza, perda, emoção... no fundo, a Vida como ela é numa cidade que, nem sempre, é mágica e esconde no seu fundo a realidade. Um filme a ver, contudo, considero que tenta falar de muita coisa em pouco tempo (ainda que o filme seja longo), sem desenvolver demasiado qualquer das histórias.
Tenho de destacar alguns momentos como toda a sequência final de Pierre, a emoção de Elise com o vendedor de fruta, as imagens de Paris que não são postais ilustrados e a secura como é mostrada a diferença entre ricos/pobres e franceses/emigrantes na sua falta de valores.
Carpe Diem.

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Os Olhos Azuis da Vida
Para uma pessoa que ama o cinema como eu não poderia deixar passar neste espaço uma homenagem (ainda que tardia, mas pouco tempo tive este fim de semana) a esse GRANDE actor que foi Paul Newman.
Na passada Sexta faleceu com 83 anos vitima de um cancro e, tal como em toda a sua carreira, com grande dignidade preferindo passar os ultimos momentos na sua casa do que num hospital anónimo. Como disse a familia, Paul Newman morreu tal como viveu, de forma privada e discreta.
Deixou-nos um dos últimos grandes actores do cinema americano cujas últimas intepretações lhe permitiram uma nomeação ao Óscar ("Estrada para a Perdição"), um Globo de Ouro (pela serie "Empire Falls") e dar a voz a um dos carros do filme da Pixar, "Carros".
Sempre me impressionou a sua força de interpretação e os seus intensos olhos azuis... será sempre o instrutor de snooker de Tom Cruise ("A Cor do Dinheiro"), o companheiro de Redford ("Butch Cassidy & Sundance Kid"), o amante de Elizabeth Taylor ("Gato em Telhado de Zinco Quente") entre outros em mais de 54 anos de carreira.
Por isso, aqui fica o meu até breve Butch Cassidy!!
Carpe Diem.

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Emoções Familiares
Uma pessoa dá-se conta que a época dos blockbusters passou, quando começam a aparecer filmes que mexem com quem vê e dão oportunidade aos actores de brilharem e mostrarem do que são capazes. Hoje tive o prazer de assistir a um dos melhores filmes de 2008 (até ao momento, claro), o "Antes que o Diabo saiba que Morreste", realizado por Sidney Lumet.
Trata-se de um drama familiar onde 2 irmãos, com problemas de dinheiro, resolvem assaltar uma joalharia, mas o pequeno detalhe é que esta pertence aos seus pais... como estes têm seguro tudo correria bem se... mais não digo, contudo, nada corre bem e assistimos, durante quase 2 horas, ao desmoronar de uma familia.
A familia é composta por um pai, Charles (o sempre excelente Albert Finney), e 3 filhos, sendo dado relevância aos 2 irmãos, Andy (Philip Seymour Hoffman, num registo de violência interior reprimida) e Hank (Ethan Hawke, como um cobarde necessitado e incapaz de procurar os seus sonhos), e à mulher do primeiro, Gina (Marisa Tomei), e amante do segundo. O caso de infidelidade entre irmãos é apenas a ponta do iceberg de um filme composto por flashbacks do que se passou antes do assalto e momentos pós assalto.
Ao contrário do que se poderia supôr, os flashbacks não servem para nos contar o que se passou, isso é logo despachado no inicio do filme, mas sim para aprofundar o carácter (ou a falta dele) de cada uma das 3 personagens principais (Charles, Andy e Hank). São homens em queda, pessoas perdidas que vivem de aparências (Andy), românticos sem capacidade de singrar na Vida (Hank) e incapazes de expressar sentimentos (Charles).
Em minha opinião, o filme tem 3 grandes momentos (entre muitos outros): o desabafo no jardim entre Charles e Andy, terminando de forma brutal; o momento subliminar onde Andy deixa cair, sobre uma mesa de apoio, as pedras que a enfeitavam, demonstrando que nem tudo pode parecer perfeito quando nada o é; e a sequência final onde o sacrificio/vingança de um pai é servido a frio.
Impressiona ver um realizador com 80 anos a fazer um filme desta intensidade, conseguindo puxar de cada actor performances intensas e plenamente conseguidas. Até Marisa Tomei tem aqui um papel contido, mas intenso, incluindo uma das cenas sexuais mais fortes do cinema comercial americano que abre o filme.
Quando o filme termina ficamos como se nos dessem um murro no estômago, porque não há finais felizes e muito menos para esta familia... mas, no fundo, a Vida não é assim? Um filme a não perder, esperando que consiga chegar aos Óscares, pelo menos, no que respeita aos seus actores.
Carpe Diem.
PS: Não podia deixar de referir aqui o mais recente cartaz do filme português "Aquele Querido Mês de Agosto" (ainda não vi, mas está nos meus planos para breve) com a seguinte frase: "10.000 pessoas já viram Aquele Querido Mês de Agosto. Mamma Miaaaaaa!!!!" Lindo :)

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A Poesia da Pintura em imagens
O ciclo de cinema "Os Melhores Filmes de 2007", que esteve patente no Nimas, permitiu-me visionar algumas películas que, por uma razão ou outra, deixei passar aquando da exibição comercial. Um dos melhores que por lá vi foi o "A Ronda da Noite", realizado por Peter Greenway (talvez o seu filme mais comercial, apesar de ser fã do filme "The Pillow Book").
O filme retrata parte da história do pintor Rembrandt, nomeadamente quando este pintou o quadro "A Ronda da Noite" bem como a sua relação com as mulheres que o rodeiam. Tenho de confessar que, a pintura flamenca, não me alicia mas... o tratamento dado ao pintor e, sobretudo, o modo de filmar de Greenway sublima tudo.
Torna-se interessante ver como nasce uma obra-prima e, ao mesmo tempo, apresentar essa história como se de uma pintura teatral se tratasse... pode parecer estranho o termo utilizado, mas este filme estiliza a obra de Rembrandt de tal forma como se de um quadro flamenco se tratasse, sem ter medo de mostrar a artificialidade do teatro ao mesmo tempo. Este último facto torna-se ainda mais curioso e interessante, quando sabemos que Rembrandt gostava de colocar pessoas a representar outras, tendo em vista pintar uma ideia (nem sempre agradável) destas últimas.
Um grande filme de poesia em movimento, feito de sombras e tons escuros a predominar... um filme onde o artificial combina com o real para formar um todo ainda mais coerente. Tenho de destacar aqui o actor principal deste filme, Martin Freeman (Rembrandt), um dos grandes cómicos dessa pérola do humor que foi o "The Office" inglês, da autoria de Ricky Gervais.
Deixem-se levar pela paixão, pelo delirio e pelo sonho de um homem que só queria amar mulheres e fazer juz à vitima de um crime, mas com medo de perder o seu olhar na escuridão intensa do desconhecido.
Carpe Diem.

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Amor Robótico
Os filmes de animação da Pixar são sempre um assombro e a mais recente novidade destes estúdios, de nome "Wall-E" é, quanto a mim, a sua maior obra prima até ao momento... trata-se de um filme que nos deixa boquiabertos, por um lado com a inovação tecnológica da animação por computador e por outro a forma como os seus autores (Andrew Stanton, o mesmo de "À Procura de Nemo") conseguem transmitir tantas emoções com escasso diálogo (trata-se de um filme quase mudo) e personagens não anamórficas (robots, na sua maioria).
O filme retrata a história de um robot (Wall-E) que se dedica à compactação e limpeza de lixo numa Terra abandonada e hiper poluída, tendo uma barata como animal de estimação e sendo viciado num trecho musical do filme "Hello Dolly"... confusos? E se juntarmos a isto uma robot/sonda feminina (Eve) que desce à Terra em busca de espécimes vegetais e dá de caras com o nosso heroi e por ai começa uma bela história de amor? Será graças a Eve que Wall-E deixa o seu trabalho e vai em busca do seu futuro.
É um filme de ficção cientifica complexo, apaixonante, emocionante e, acima de tudo, simples na sua premissa base... tem momentos delirantes (todas as perseguições dentro da nave espacial), momentos deliciosos (o toque de "mãos" entre Wall-E e Eve ou o vôo em pleno espaço entre os dois num bailado maravilhoso). O que mais impressiona neste filme é o facto de, com 2 robots, sem grandes formas de expressão conseguimos sentir tanto e submergimos completamente naquele mundo.
Tenho ainda de realçar uma personagem delirante que é o pequeno robot de limpeza, graças a ele dei umas belas risadas e acaba por dar, igualmente, uma grande lição ao abandonar o seu caminho de sempre em prossecução dos seus objectivos.
Depois é também, mas não só, um filme ecologista... não doentiamente ecologista mas, dentro da sua subtileza, consegue ser politicamente incorrecto e fazer pensar num futuro que pode não estar assim tão distante quanto isso, onde os humanos não andam sob 2 pernas e vêm, literalmente, com um ecrán no rosto.
Um filme que recomendo apaixonadamente!! Como não podia deixar de ser num filme Pixar, existe uma curta metragem a anteceder o filme, de nome "Presto", trata-se de uma delirante aventura entre um mágico e o seu coelho que se recusa a sair da cartola porque tem fome, imperdível!!! Como diria Eve, "Wall...EEEE" :)
Carpe Diem.

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Ciclo de Cinema
No post anterior referi o ciclo de cinema da Medeia, a decorrer no Nimas (Lisboa) e Teatro do Campo Alegre (Porto) com os melhores filmes estreados por esta empresa entre Junho 2007 e Julho 2008.
Em Lisboa, o evento decorre de 26 Junho a 03 de Setembro e eu ainda espero ver/rever os seguintes:
- Duas Irmãs, Um Rei (Domingo, 17 Agosto)
- Juno (Segunda, 18 Agosto)
- O Capacete Dourado (Sexta, 22 Agosto)
- Luz Silenciosa (Sábado, 23 Agosto)
- Caramel (Terça, 26 Agosto)
- O Segredo de um Cuzcuz (Quarta e Quinta, 27 e 28 Agosto)
- Irina Palm (Sábado, 30 Agosto)
- A Ronda da Noite (Segunda, 01 Setembro)
Para quem não tem cartão Medeia (parolos!!), o preço do bilhete fica em 3,5 €... espero encontrar-vos por lá!!
Carpe Diem.

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Um homem em busca de si

Tenho de agradecer, antes de mais, ao ciclo de cinema de retrospectiva 2008 dos cinemas Medeia, a decorrer no cinema Nimas, por poder apreciar o filme "Michael Clayton" que me tinha escapado na devida altura do seu lançamento comercial.
E que filme fabuloso ele é!! Tem grandes actores dentro como George Clooney (o filme é quase todo dele), Tom Wilkinson, Tilda Swinton (vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária por este filme) e Sydney Pollack (num dos últimos papeis da sua carreira), um argumento limado na perfeição e uma realização segura e seca de Tony Gilroy (argumentista dos filmes Bourne).
O filme retrata o poder das grandes corporações, neste caso uma grande firma de advogados, e a forma que estas têm de ajustar a realidade aos seus interesses. Esse é o papel do personagem principal, Michael Clayton (Clooney), um homem com o curso de advogado mas que se limita a fazer com que as coisas corram certo para a firma... um "homem de limpeza" amargurado por não poder ser aquilo que sonhou.
A trama do filme gira em torno de um dos sócios da empresa, Arthur (Tom Wilkinson), que fica louco durante um caso que envolve um produto cancerígeno e o modo como as diferentes partes interessadas irão reagir para dar a volta à situação, com particular destaque para a personagem de Karen (Tilda Swinton), assombrosa na sua meticulosidade e contradição.
Contudo, grande parte do filme pertence mesmo a Clooney com o seu "homem de limpeza" torturado e ambivalente que, apesar de conseguir dar a volta por cima, ainda sente não ter o futuro à sua mercê como o demonstra o momento final no táxi à deriva (tal como a personagem?).
Tenho de destacar um momento de extraordinária beleza num filme seco, quando Michael Clayton pára o carro numa estrada para poder apreciar de perto 3 cavalos numa encosta... é um momento de calma, reflexão, encantamento e submissão de um homem à beleza da Natureza.
O filme já está em DVD e aconselho vivamente a verem-no, principalmente se sempre foram fãs dos filmes de Sydney Lumet ou, pura e simplesmente, de conspirações.
Carpe Diem.

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Ainda vale a pena acreditar?
O regresso da série Ficheiros Secretos, em formato de filme, 10 anos após o primeiro filme e 6 após a 9ª e ultima temporada fez-me questionar da sua necessidade... é certo que fui e ainda sou um grande fã da série, contudo, as últimas temporadas (sensivelmente desde a 7ª) foram degradantes e sem sentido com um season finale, no minimo, ridiculo.
O filme que agora se estreia em Portugal, com o subtitulo "I Want to Believe", não pega na mitologia da série como acontecia na sua primeira ida ao cinema (com a grande novidade de que os extraterrestres eram os habitantes iniciais da Terra e nós humanos é que fomos os invasores), tratando-se de um caso isolado que mistura um ex-padre pedófilo com visões, médicos russos integrados no tráfico de orgãos e transplantes sobrenaturais.
Tal como no primeiro filme, o argumento deixa muito a desejar (escrito pelo criador da série Chris Carter que também realiza e por um habituée da série, Frank Spottnitz), tendo em conta as expectativas que se criam... neste caso, as minhas expectativas eram nulas e, contudo, o argumento é demasiado fraco para sustentar um filme de 100 minutos.
Mas nem tudo é fraco no filme, é possivel retirar imenso prazer ao rever as personagens de Mulder e Scully (com as mesmas características, apesar de tudo que viram e ouviram) que mantém a mesma quimica, rever a personagem de Skinner, revisitar o FBI numa sequência hilariante sem diálogo mas com movimentos faciais que tudo dizem acerca de 2 retratos "sui generis", encontrar o refugio de Mulder que é tão, ou mais, caótico que a sua cave do FBI dedicada ao paranormal.
Para os fãs de sempre vão ao cinema rever os Ficheiros Secretos e deixem-se embalar pela nostalgia (apesar da lamechice, a espaços, que se encontrava afastada na série), mas no que respeita a quem não conhece a série, aconselho antes a compra, pelo menos, dos 5 primeiros packs (em promoção por 19,95€ cada em qualquer loja) e descubram o que fez esta série um objecto de culto, que conseguiu não envelhecer.
Carpe Diem.

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O Regresso do Cavaleiro das Trevas
Foi ontem a estreia nacional do mais recente filme Batman, tendo por realizador novamente Christopher Nolan e Christian Bale no papel homónimo. Desta feita o filme tem como subtítulo "The Dark Knight", contudo, a sua influência não vem do comic homónimo de Frank Miller mas, em minha opinião, tem semelhanças com os comics "Piada Mortal" (escrito por Alan Moore e desenhando por Brian Bolland) e "The Long Halloween" (escrito por Jeph Loeb e desenhado por Tim Sale).
Trata-se de um filme que explora o lado mais negro de Batman, na figura do seu grande opositor Joker (um imenso Heath Ledger) e mais tarde com o Duas Caras (um sempre eficiente Aaron Eckhart), na ideia de que os super vilões só podem existir e ser loucos porque existe um tipo mascarado e completamente insano, ainda que respeitando os códigos de conduta... aqui reside a grande diferença e o pathos do filme, o Batman não é mais que uma cópia com moral do Joker ou de qualquer dos seus vilões já que, não tendo super poderes, se esconde por detrás de uma capa para combater o crime.
Em certos momentos, como no diálogo suspenso entre Batman e Joker, lembrei-me desse grande momento da BD "Piada Mortal" com o Joker a contar uma piada ao Batman e ambos a rirem-se loucamente à chuva... dois loucos em busca de redenção com a diferença da moral a separá-los.
O filme em si é uma grande surpresa para mim, já que não gostei do primeiro ("Batman O Inicio") e sempre fui grande fã dos 2 filmes de Tim Burton (apesar de mais caricaturais, retratavam toda a densidade do personagem e da loucura dos vilões com o melhor Batman de sempre no improvável Michael Keaton), trata-se de uma história densa, interessante do ponto de vista moral, com efeitos especiais q.b. e um vilão superlativo.
Aqui reside a diferença neste filme, o Joker de Heath Ledger é simplesmente assombroso deixando a longa distância o bobo de Jack Nicholson... finalmente neste filme encontramos aquela personagem sem sentido, insana, que adora torturar porque pode, que se diverte com a desgraça dos outros, que gosta de provocar o caos apenas para sentir a descrença da humanidade... o filme é amplamente dominado por Ledger na sua composição e o que é triste é nunca podermos vir a ter mais momentos destes em filmes recentes do franchise. Só devo referir que não concordo com o lifting na origem do Joker, contudo, parece mais realista do que o da BD.
Com este filme, Christopher Nolan reconciliou-me com o Batman em cinema e fez-me ter esperança no futuro da personagem, contudo, espero um dia ver a transposição do comic duplo "The Dark Knight/The Dark Knight Returns" (eu sei que será dificil porque seria o mesmo que dizer que não se fariam mais filmes do Batman). Mesmo que não sejam fãs da personagem vejam o filme e deixem-se deslumbrar por este Joker, apesar de não acreditar que Heath Ledger possa ser nomeado aos Óscares.
Carpe Diem.

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Aparências que Iludem
Quem visita este espaço conhece a minha profunda reverência e admiração por um dos grandes realizadores americanos do nosso tempo, David Lynch, e quando vi a apresentação do filme "Vigilância", a primeira coisa que pensei foi intrigante e depois vi os créditos... o filme é realizado por Jennifer Lynch (filha de David Lynch) e tem como actores o excelente Bill Pullman (de "Estrada Perdida") e a subvalorizada Julia Ormond (de "Mulholand Drive").
Trata-se de um filme que gira em torno da forma como apreendemos as situações, como um ponto de vista pode mudar toda uma história. Neste caso temos 3 pontos de vista diferentes sobre o mesmo caso, um "acidente" rodoviário que acaba em massacre puro. Existe também a diferença entre o que apreendemos e a forma como recontamos a situação, nem sempre igual a como aconteceu.
O filme aproveita a linguagem video e a subjectividade do olhar para interrogar o papel da imagem nos dias de hoje, de uma forma simples e jogando com a mecânica dos filmes policiais. Encontramos resquícios do Lynch pai na forma como Jennifer retrata a cidade onde se passa a acção, com os seus habitantes e os seus tiques característicos e estranhos, contudo, ainda lhe falta muito neste campo para chegar perto do nível do pai (ainda que tenha sido ela a escrever o livro "Diário de Laura Palmer" da série "Twin Peaks").
Não posso comentar muito mais do filme sem estragar o twist dos últimos minutos, no entanto, recomendo este filme para quem goste de filmes com serial-killers e pretenda ficar em suspenso durante grande parte do mesmo sem saber o que realmente aconteceu. Depois de um grande passo em falso (o filme "Boxing Helena"), espero que este seja um indicio do que Jennifer Lynch terá para dizer em cinema.
Pelo menos, a estranheza do pai passou-lhe muito bem e não podemos esquecer que o filme "Eraserhead" foi baseado nos sentimentos deste em relação ao nascimento da filha... quem viu o filme sabe bem que não se trata, realmente, de uma história simples ou bela :)
Carpe Diem.

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